-
25 de agosto de 2006
- 0 Comment
Fogão Ecológico ajuda a preservar a Caatinga
Projeto distribuiu 220 ‘ecofogões’ para municípios do Semi-Árido nordestino; o utensílio reduz até pela metade o consumo da madeira
Para preparar o arroz com feijão do dia a dia, ou até mesmo o tradicional bolo de mandioca nos fins de tarde, é comum que uma dona de casa do Semiárido nordestino precise, antes de tudo, cortar a lenha que será utilizada no fogão. Além de exigir mais tempo e esforço, essa prática prejudica o meio ambiente e a saúde do cozinheiro e de sua família. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a intoxicação crônica pela fumaça da queima de lenha em ambientes fechados é a oitava causa de morte no mundo.
Com o objetivo de reduzir esse problema, um projeto no Brasil distribuiu 220 ecofogões — fornos ecológicos capazes de diminuir em até 50% o consumo de madeira — para escolas e assentamentos rurais da Bahia, Paraíba e Ceará.
O equipamento é composto por uma chapa de ferro sobre uma caixa metálica revestida com lâmina galvanizada. Em seu interior, há um isolante térmico e uma entrada de cerâmica para a colocação da lenha. Segundo o fabricante, o fogão foi desenvolvido para melhorar o processo de queima e produzir menos fumaça. A pouca fuligem gerada é direcionada para fora da casa por meio de uma chaminé de três metros. A madeira aquece a chapa de ferro, que transmite calor às panelas sem contato direto com o fogo.
“Achei isso ótimo porque não suja mais as panelas e eu economizo até no bombril. Só preciso usar uma buchinha agora”, comemora Maria do Socorro Brito Ferreira, coordenadora da Creche São Miguel, uma das instituições contempladas pelo projeto. “Além disso, o fogão funciona com gravetos, com aquele pau que ninguém quer. Então, as próprias famílias saem buscando e trazem”, completa.
A instituição, localizada no município do Crato (CE), atende diariamente cerca de 850 crianças — da creche à 4ª série do ensino fundamental — e oferece, todos os anos, cursos sobre xaropes, chás medicinais e alimentos à base de farinha de mandioca para mais de 3.590 mulheres de povoados e bairros carentes da cidade.
Mais de 200 ecofogões foram distribuídos em escolas, creches e assentamentos rurais nos municípios de Curaçá (BA), Santa Terezinha (PB) e Barbalha e Jardim (CE). “Deu-se preferência a escolas públicas e assentamentos da reforma agrária, que são locais onde se prepara maior quantidade de alimentos”, explica Nelson Wendel, do núcleo de qualidade ambiental do Fundo Nacional do Meio Ambiente, uma das entidades realizadoras do projeto.
A iniciativa contou com a parceria da Embaixada dos Países Baixos, Fundação Araripe, Instituto Jurema, organização Agendha, Global Environment Facility e PNUD.
Wendel destaca que o ecofogão vai além das vantagens práticas aos beneficiados. “O objetivo principal do projeto é a questão ambiental”, afirma. Segundo ele, a madeira representa 75% da energia utilizada nessas regiões. “Grande parte dos alimentos preparados na Caatinga usa lenha. Com o ecofogão, não é preciso desmatar, pois ele funciona também com gravetos e reduz em 50% a necessidade de madeira, graças à queima mais eficiente”, ressalta.
Além da entrega dos equipamentos, o projeto ofereceu cursos para ensinar o uso correto do fogão, promover o desenvolvimento sustentável, estimular a preservação da floresta e orientar sobre o manejo florestal. Também foram realizadas oficinas práticas, conforme destaca Geraldo Leal Júnior, coordenador do projeto na região do Araripe.